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Da colheita à torra: fazendo café em casa

  • 2 de jul. de 2020
  • 3 min de leitura

Atualizado: há 4 dias

Onde moramos, um dia já foi uma grande área de cultivo e ainda se acham muitas árvores de café de antigas plantações por perto. A ideia foi fabricar o próprio café artesanal e valorizar os pés de café ancestrais que vivem ao nosso redor :)

EDIT: cinco anos se passaram desde essa publicação então ao final da descrição, acrescentamos algumas notas e sugestões. Como o café possui apenas uma safra por ano e não é todo ano que temos boa colheita por aqui, pudemos tentar novamente poucas vezes desde então, mas no último ano conseguimos ótimos resultados!


O processo aconteceu em cinco etapas:

1) Colheita: A colheita do café é feita quando os frutos estão com uma cor mais avermelhada ou amarelada (dependendo da espécie).

2) Secagem: Por aqui, secamos todos os frutos do café no sol, revirando durante o dia para a secagem ser de forma uniforme e protegidos da chuva e do sereno. O processo pode durar semanas, até que os grãos estejam bem secos.


Café secando ao sol após a colheita em casa.

Cafés recém-colhidos no processo de secagem


Fruto do café seco em casa.

Cafés no final da secagem


3) Retirada da casca: Tentamos de várias formas já que não tínhamos uma máquina de descascar café. Usamos um pilão feito com bambu, mas o mais rápido foi usar o próprio moedor do café, que aqui era um moedor de cereais, para quebrar os grãos secos e retirar a casca. O processo por aqui foi todo manual e foi o mais trabalhoso.


Café descascado em casa.

Retirada da casca manualmente


4) Torra: Depois de secos e descascados, os grãos que eram verdes devem ficar marrons escuro. Durante a torra, mexa sem parar para torrar uniformemente. Aqui era tradicional colocar um pouco de açúcar mascavo na hora da torra.


Torra do café em casa.

Torra dos grãos de café


5) Moagem: Para obter o pó de café, utilizamos o mesmo moedor da retirada das cascas, passando de duas a três vezes para obter um pó mais fino.


Café artesanal em pó feito em casa.

Resultado final: café artesanal em pó




[31 de maio de 2026]


Por aqui somos grandes fãs de fermentações selvagens, fermentados de frutas, hidromel, cervejas caseiras, entre outros experimentos. E após ler um pouco sobre cafés fermentados resolvemos tentar.


Em 2025 tivemos a oportunidade de colher mais um tanto dos cafés dos arredores e fazer alguns testes que nos trouxeram resultados deliciosos! Na ocasião, pegamos os frutos recém colhidos e colocamos em uma garrafa de aproximadamente 2 litros, cobrimos com água e fechamos com um airlock, que é um pequeno sifão fundamental para fermentações alcóolicas, como cerveja e vinho, que permite que o gás gerado pela fermentação saia da garrafa sem deixar que o oxigênio entre e sem riscos de explosão. É importante que os grãos não sejam sanitizados, porque os micro-organismos do próprio fruto dá inicio à fermentação. Em poucos dias já é possível perceber uma fermentação bastante ativa. Não me recordo agora quantos dias deixamos fermentando, mas acredito que foi algo próximo de 1 semana.


Depois da fermentação abrimos a garrafa, retiramos os grãos e colocamos para secar. Como ficaram submersos, os frutos ficam muito encharcados, o que dificulta a secagem. Então se não for uma semana quente e com muito sol, minha sugestão é tentar remover as cascas ainda molhadas e deixar secando apenas os grãos com a película + mucilagem, sem a casca externa. Ou colocar para secar em forno baixo, algo entre 50 e 80 graus, para desidratar as cascas e não mofar.


Daí pra frente o processo é o mesmo. Agora passamos a usar um descascador manual próprio para café de um vizinho, o que facilita muito o processo.

Seguimos torrando o café na panela de ferro (sem açúcar) e cuidando muito para que não passe de uma torra clara ou no máximo média.

O resultado foi um café doce e muito aromático, que pessoalmente me lembrou um sabor de bolacha de morango.


Em breve traremos alguns registros.


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